Arquivo | janeiro, 2010

Ela perdeu.

16 jan

– “Por que eu deveria ficar?” – Ele olhava-a com interrogações infinitas aguardando que ela respondesse. E que sua resposta fosse suficiente para que ele não saísse porta a fora.
Ela, por sua vez, com a testa vincada procurando inúmeras desculpas, razões e apelos para convencer-lhe que ela sentia muito olhava para os seus pés inquietos. Mas nada do que ela dissesse seria suficiente, ele estava irredutível. Ela havia alimentado falsos desejos, promessas que nunca conseguiu cumprir. Ele sentia-se usado e nutria uma raiva imensa dela. Ela tentou tocar-lhe a face e ele desviou.
– “Tem palavras bem fáceis, menina. Queria ter aprendido a gostar de literatura e poema assim como tu aprendestes a gostar, porque seria mais fácil para eu sair daqui e não olhar para trás. Porque eu saberia que amor é sempre isso: despedida.”
Ela sorriu doce.
– Despede-se sem razões, pois tu sabias desde o início que amor dói. E tu me feriste anteriormente, anos atrás. E ao contrário de ti, permaneci forte e ao teu lado. Porque tua felicidade foste mais importante para mim. E hoje és tão egoísta que preferes doer-me privando-me de tua amizade.
– “As pessoas não sofreriam tanto se conseguissem controlar de fato as emoções e tudo o que acontece, vem crescendo dentro do peito. Tu sabes como é. Entenda-me, por favor, se tu não estavas disposta a levar adiante esse sentimento que cresceu dentro de mim, por que não podastes enquanto era tempo?”
– Vezenquando sonhar é bom. Amor plantado dentro de nós ajuda a viver, já vistes alguém que não ama ninguém? É como terra seca sem vida. E não pretendias transformar teu coração em terreno baldio. Mas em momento algum te disse: tens o meu coração. Iludir-te não foi minha intenção.
– “É óbvio que não. Mas não entendo porque aceitastes as minhas palavras, meus telefones, minhas rosas e todo o meu sentimento embalados em papel de presente. No fim das contas tu fostes igual as demais. Cruel. E digo-te que te doerei a vida inteira com a minha ausência.”
– Ainda que vás embora permanecerá dentro de mim. Não vês que nossas vidas sempre estarão interligadas? Quero-te como uma mãe quer um filho, como amigos que sempre fomos. E não haverá mudanças em nada, doce. Tu bem sabes.
– O que me dói mais é que você sempre soube que te amei e me usava porque sabia que tuas palavras doces sempre me encantavam. Jamais eu voltarei.
E ela perdeu o amigo de vez.

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Me interna mãe.

12 jan

“Pedi pra mãe – me interna, to infeliz pra caralho.” Caio F.

Tequila, café e cigarros exatamente nessa ordem me preenchiam. Aquela velha história do amigo engarrafado me era completamente aplicável, não havia companhia melhor. Porque eu não desejava conversar, pessoas se preocupam demasiadamente e eu não precisava de especulações, conversas enfadonhas e repetir tudo o que estava acontecendo comigo. Não. Eu não quero falar sobre isso. Isso o quê? Se eu tivesse noção do que era. Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero. Desde que ele fora embora eu ouço versos que me falam sobre amores arruinados, o coração já não bate, esquecera completamente o tal do Tum-tum-tum. Será que o coração bate assim? Há algum tempo que não sei como ele reage, porque os dias estão vazios. Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é. Acreditava nisso piamente porque ele estava ao meu lado, agora que se foi tudo é cinza. E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada.

Eu tecia,

4 jan

Porque tecer era necessário e me satisfazia. Embora, eu não soubesse aquilo me alimentava. Ia tecendo, acumulando possíveis oportunidades, sonhos idealizados. Idiotice a minha, eu sei. E então eu descobri que ia tecendo coisas impossíveis, irrealizáveis e entendi que eu não estava disposta, assim como você, a levar adiante qualquer coisa. Sentimento. Talvez porque não fosse realmente para ser, ou como você um dia disse: “tem coisas que é melhor não ver.” E você fechou os olhos para o tear e minhas mãos se cansaram de trançar a lã. E desde aquele dia tudo mudou em mim, eu não quis mais tecer, entende? Porque tecer me doía. Mas é tão estranho porque agora não dói mais. É tudo árido, como se não chovesse há tempos nesse solo, e houvesse pequenas rachaduras. É isso: rachaduras. Elas começaram a crescer separando aquilo que era sentimento do meu coração e de minha cabeça. E eu não consigo sonhar. Não com você. Porque você me dói, me machuca horrivelmente. E eu não sei o que é pior: sentir o que eu sentia ou que sinto agora. Nada.