Arquivo | agosto, 2009

Entrelinhas – Final.

31 ago

Ela chorava. Chorava como se daquela maneira pudesse esvaziar-se dele.

Quem estava a sua volta não conseguia entender… Mas ele, que observava tudo de longe, conhecia a razão de cada uma daquelas lágrimas. Como se pudesse escutar os seus pensamentos, sabia a razão daquele sofrimento. Doía ouvir cada soluço, cada suspiro dela. Não suportava mais e, finalmente, aproximou-se.

-Eu nunca quis nenhuma outra pessoa – Disse ele.

Aquela voz, aquele calor, aquele cheiro. Ela não podia acreditar que ele estava tão perto, depois de tanto tempo. Incapaz de responder, esperou que ele continuasse.

-Percebi que a sua ausência é sinônimo de dor. Posso ser fraco por admitir isso, mas se é assim, assumo a minha fraqueza e peço perdão.

-Perdão pelo quê? – Ela conseguiu dizer.

-Perdão por todos os momentos em que eu estive ausente. Perdão por todas as tardes de silêncio e solidão. Perdão por tudo aquilo que eu não disse. Perdão por todo amor que lhe faltei. Perdão por não estar ao seu lado todas as vezes em que você precisou…

– Todos os dias – ela o interrompeu- desde que terminamos eu penso mais em você. Aprendi, da maneira mais difícil, que o amor se fortalece com a distância e o tempo é incapaz de destruí-lo. Seu olhar sempre manteve acesa em mim a esperança. Eu sempre estive apaixonada por você.

Não haviam mais lágrimas, nem palavras. O céu era testemunha de que aquele beijo selava o verdadeiro amor.

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Madeleine.

28 ago

Breve explicação. Início de um conto, depressão dos anos 30.

“Madeleine sabia que era proibido, mesmo assim insistia em continuar. Seus valores e até mesmo sua vida estavam em jogo. Contudo ela não temia. Desejava viver nos braços de Raphael, aquele que ela entregaria até sua própria alma.”

– Podemos ficar aqui, se quiser.

Ela somente riu. Desejava ardentemente que ele continuasse ali em sua frente o máximo que pudesse. Contemplaria a sua beleza por toda a eternidade se necessário.

– Sim. Você se importaria de fechar os olhos agora? – Disse em um sussurrar.

– As pessoas podem ver, querida. Não seria de bom tom e as luzes ainda estão acesas. A cidade ainda está acordada.

– Somente sinta – Disse relutante.

E os olhos se fecharam. Embora a cidade estivesse viva com os movimentos apressados dos transeuntes que corriam de cima abaixo. Eles estavam lá, abraçados.

Era intenso o que sentiam. Abraçavam-se calorosamente, talvez não se vissem mais. Ela sabia que esse seria seu último encontro. Ele, por sua vez, maquinava outras alternativas, uma fuga.

Perderam-se em um beijo ofegante enquanto a lua mirava-os com um sorriso triste. Era o prenúncio do fim.

Entrelinhas.

26 ago

“Amor e dor não são sinônimos.” Pensando assim ela percebeu: aquilo não era amor.

Quanto tempo mais teria que esperar? Não importava, o amor um dia chegaria. Disso ela tinha tem certeza.

Todos os momentos, os sorrisos, as brigas, as confissões… Tudo estaria guardado, gravado nela feito tatuagem. Mas nada daquilo era suficiente. Uma alma tão livre e sonhadora precisava de mais. Não que fosse exigente, reciprocidade seria o bastante. Aos seus olhos, isso não parecia complexo.

Para ele, a situação não era tão simples. Era difícil esconder o que sentia, demonstrar naturalidade perto dela. Seu jeito, sua voz, até mesmo o perfume daquela moça o deixavam extasiado. Tentava não transparecer e acabava sendo grosseiro. Às vezes, preferia manter-se distante. Apenas a observava, decorando cada gesto dela. Só de pensar que já estivera em seus braços e que ele a deixara escapar, seu coração doía. De quem era a culpa, afinal?

Ela continuava ali, inconformada e sozinha. No meio de tantos outros, sentia falta dele. Detestava admitir. Sentia-se tão submissa, tão vulnerável. Continuava negando a verdadeira natureza daquele sentimento. Não queria reconhecer. Usava todas as desculpas possíveis, desconversava, disfarçava, tentava esquecer. Era impossível, impossível… Algo mantinha acesa a esperança, e nada era capaz de apagá-la.

Enquanto isso, ele observava. E, por mais que ela tentasse esconder, sabia o que seu coração dizia. Mostraria que o amor ainda estava ali, ela não precisava mais esperar.

Essa história não termina aqui…

Do amor.

24 ago

Os melhores amores são os inventados.
Desejo tanto a sua companhia que me preenche te ‘ouvir’.
A única coisa que quero dizer é que hoje estou começando a compreender o que sinto por você.
É gostoso e bom.

Olá! Muito prazer.

20 ago

Preciso desabafar. Por que ninguém quer me ouvir?

Eu continuo gritando: Eu existo e estou aqui, como sempre estive.

Poucas pessoas ainda acreditam em mim. O que eu fiz, afinal?

Estou cansado de ser rejeitado, esquecido, injustiçado e, sobretudo, banalizado.

Procuro morada, mas as portas estão fechadas para mim. Sou culpado pelo sofrimento, por todas as mágoas e desilusões. Quantas vezes terei que repetir que sou inocente?

Continuo puro e singelo. Eu não sou esse vilão que dizem. Faço o melhor que posso, mas não consigo trabalhar sozinho. Só permaneço quando sei que sou bem-vindo e, a cada dia que passa isso tem acontecido com menos frequência. É mais fácil optar pelo descartável, o momentâneo, do que permitir que eu fique e crie raízes.

Tenho o meu tempo de agir, mas poucos são capazes de esperar. Não sou como os outros de minha espécie, eu não tenho fim. Não me identifico com a Solidão, não nasci pra existir sozinho.

A Felicidade disse-me: “Não desista meu amigo, estamos juntos nessa. Eu só posso ser completa se você estiver por perto”. Grande amiga, essa tal Felicidade!

O meu Criador explicou-me que seria difícil, mas eu não imaginei que seria tanto. Gente de cabeça dura e coração fechado! A Melancolia ainda tem coragem de dizer que tem problemas (tsc, tsc, tsc. Tão dramática). E falando em Coragem, essa criatura deve ter tirado férias. Que mania de desaparecer quando eu mais preciso dela! Já o Medo está por toda a parte. Medo de arriscar, medo de ser feliz, medo de viver. Sim, o Medo. Essa é a única explicação para que o meu mercado de trabalho tenha sido tão reduzido.

O que ainda me deixa lisonjeado são as inúmeras músicas que existem sobre mim. Agradeço a todos os românticos que não tem vergonha de falar sobre o que eu sou. E peço, por favor, não me façam parecer alguém triste. Como eu já disse, a Felicidade é minha grande amiga e eu não sei viver longe dela.

Se não for pedir muito, estou cansado de ser pronunciado “em vão”. Tenham certeza de que eu estou por perto, com raízes fincadas em vossos corações antes de me prometerem a eternidade.

Não posso deixar de agradecer a todos àqueles de coração aberto, que não permitem o meu total abandono.

Perdão, se você estiver lendo isso, por favor, me procure. Como sempre, preciso de uma ajudinha sua.

Ah!, antes que eu me esqueça: Esperança, obrigado por não me abandonar.

Sou forte, não desisto fácil. Sou imprevisível, surpreendente e persistente. Sou compreensivo e paciente. Sou assim.

Um abraço apertado ao Tempo. Um cheiro na Sensibilidade. E um grande beijo à Paixão.

Atenciosamente,

Amor.

“Como lembrar de você e não sorrir?”

19 ago

Sinto a noite, penso em você. Lembro como é bom amar.

Ah!, ela estava em paz. Sentia-se livre. Inacreditavelmente, não conseguia lembrar do tempo de dor, como se uma neblina encobrisse tudo aquilo. Ou melhor, como se nunca tivesse acontecido. Um sonho ruim, apenas. Ela havia despertado. A felicidade bateu à porta e entrou sem pedir licença. Finalmente…

E como sempre, ela sabia que ia encontrá-lo. Insistia em dizer que não queria vê-lo, mas seu coração implorava por aquele olhar. E, entre tantos outros, ele foi a primeira pessoa que ela viu.

No dia seguinte, ela estava tão feliz, sua alegria transbordava e qualquer um podia ver. E mais uma vez, ele estava lá. Parecia tão diferente. Mais próximo, de um jeito que ela não conseguia entender. Quando os seus olhares se cruzaram, e ela estava em seus braços, foi difícil controlar o impulso de beijá-lo. Não sabia quando havia sido a última vez em que ele estivera tão próximo. E por um segundo, esqueceu de respirar.

Naquela noite, ela sonhou com ele. Mais uma vez…

Das coisas que Alice não disse.

18 ago

Alice jamais diria…

Ela fechava os olhos e o via nitidamente. Tinha em seu pensamento cada traço seu, os trejeitos, seu cabelo negro. Tudo.
E sentia-se tão abobada com isso e ao mesmo tempo tão tola. Ele era demais para ela, tinha certeza. Tantas coisas passavam pela sua cabeça. A vontade de estar perto ia se dissipando a medida em que ela percebera que era impossível.
Não podia guardar no peito aquilo, desejava gritar. Queria contar – NÃO, não queria – Queria esconder (suspiro).
É que ele era tão diferente. Conseguia fazer com que seu estômago revirasse com milhões de borboletas dentro, seu coração parecia uma bateria de escola de samba em pleno carnaval.

Ele fazia tudo isso com ela. Ela podia lembrar da sua mão macia, a mão que jamais seria estendida a ela com outra intenção a não ser amizade.
Alice chora. Fica triste e tenta ficar em silêncio.

Entre a dor e o nada. Alice não sabe o que prefere.