Arquivo | julho, 2009

Encerrando ciclos.

31 jul

Alguns dias atrás, remexendo nos arquivos antigos do computador, encontrei algo que me fez chorar. Doeu.
Era difícil falar sobre tudo isso, mas muito pior era ter que esconder. Por isso, eu permiti que a dor viesse e causasse o seu estrago de uma vez só. Assim aconteceu, a dor chegou e ficou. Semelhante a um pequeno e profundo corte. Tudo que eu fazia parecia atingi-la. As lembranças permaneciam vivas.

Como uma névoa densa e espessa, a mágoa impedia que eu enxergasse o que ficou de bom. Um dia o vento chegou e afastou a névoa, levou embora as nuvens que impediam o sol de brilhar. E ao olhar para o céu azul, percebi o vazio que havia ficado em minha vida. Não havia lado bom para enxergar naquela parte que ficou. O sol não brilhava daquele lado. Havia apenas o vazio. Foi então que eu percebi: as boas lembranças foram levadas pela chuva. Essa chuva era a verdade, levando embora o que era ilusório. O que era verdadeiro não permaneceu, simplesmente por jamais ter existido. Palavras jogadas ao vento, sementes que não germinaram. A verdade não chegou a ser plantada, e foi incapaz de florir. E ali estava o campo vazio, sem luz do sol. Ele não brilhava ali. Foi incapaz de permanecer. A ambiente era triste demais para qualquer um.

Alguns dias naquele campo vazio permitiram que eu olhasse com mais clareza. Vi o horizonte e os primeiros raios de sol surgirem. Somente com a luz eu percebi o que sempre esteve ali. Aquela flor, singela e pequenina. A única coisa que restou depois dos dias de chuva. Ela suportou tudo. As chuvas, a névoa e a ausência do calor… Nada foi capaz de arrancá-la dali. Ela permanecia forte e cheia de vida, como se nada tivesse acontecido.

Essa flor era a fé. Uma fé inabalável. Fé nas pessoas, fé na vida. E, principalmente, fé no amor.

A dor aos poucos se foi, e o corte começa a cicatrizar… A vida não pode parar.

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Transparência.

29 jul

Alice e Evan. Obrigada!

Ela queria transparecer que ele não exercia nenhum tipo de influência sobre ela. Tolice a dela.
Era algo que ia além das suas emoções, esperava ser rude e sarcástica de vez em quando para demonstrar desinteresse por ele. Ele do outro lado, ria. Não com um riso zombador, mas com um sorriso de satisfação. Como se soubesse que ela era menos durona do que tentava aparentar.

Contudo, ela conseguia desconcertar ele. Ele tentava, inutilmente esquivar-se de tudo que ela falava. Sempre analisando cada palavra, tinha medo de entregar-lhe o ouro. Ele ria dela, ela enfurecia-se com ele. Não propriamente dito com ele, mas com os sentimentos que ele fizera brotar nela. Ela odiava com todas as forças isso, era bom sentir, mas queria controlá-los. Sabia que seria bem mais difícil que isso.

Ele é tão irresistível, aparentemente, para alguns não. Mas para ela, sim.  Analisava ele milimetricamente, tentava encontrar em suas palavras qualquer vestígio que mostrasse que não era inútil a bendita esperança que ela depositará nos dois.

Pobre garota, tão iludida e sonhadora. Queria sempre ele perto, mas fugia mais que tudo.
Mas não o suficiente. Tola.

Ele.

28 jul

Ele é tão incrível – pensou a moça.

Não poderia tirar ele do coração. Por mais clichê que pareça o amor, ela estava vivendo isso. Não algo recíproco, não da forma que ela desejava. Ele parecia tão inacessível a ela. E realmente ele era.
É claro que ela tinha noção de que muita coisa podia ser fruto da imaginação. Talvez ela ‘embonitasse’ realmente tudo o que vinha dele. E daí? Ela gostava dele e pronto. Não procurava um modelo de perfeição.

O seu jeito rude e doce (ao mesmo tempo) deixava-a confusa, o suficiente para passar a noite em claro. Tentando obter respostas. Ela era sempre tão indireta, sabia que ele conseguia entender muito bem o que ela sentia. Entretanto não havia muitas esperanças.
Não sabia ao certo como tudo começou. Sabia apenas que sempre estava ansiosa por falar com ele, que seu dia se alegrava quando ele fazia parte dele. Entretanto, nem tudo na vida é do jeito que se espera. E ela já não esperava por ele. Talvez ela ainda não saiba o quanto ele significava para ela.

Ela desejava estar com ele.
Desejava que ele a enxergasse como é.
E que isso fizesse com que ele se apaixonasse também.

Mas a moça pensava – o que importa é a felicidade dele, seja com quem for.

Virtualidade.

24 jul

amor_virtual_axAquele ícone verdinho o deixava confuso. A sua mão sobre o mouse tremia, tentava controlar o desejo de falar.
Era tão necessária a conversa para ele. Queria sentir a reciprocidade em tudo que falara, mas a moça sempre é tão inconstante. Parece não se importar com os sentimentos do rapaz. Talvez nem saiba a importância que ela tem para ele.

Ele fecha a janela e abre compulsivamente. Sente um certo calor, gotas de suor escorrendo em sua testa. Ele sempre puxando assunto, querendo saber mais. Seu desejo é que a conversa nunca acabe, mas ela era sempre tão categórica. Por vezes deixava-o triste. Talvez não soubesse o quanto era importante para ele. Acontece que ela cresceu timidamente nele, de uma forma inesperada e quando se deu conta disso, percebeu que era irreversível. Ele anseiava por cada nova conversa, analisava tudo o que diria a ela, queria impressioná-la, mas tinha medo de parece-lhe bobo. Os dois gostavam das mesmas coisas, teatro, música, leitura. Tanta coisa parecida, mas isso não era o bastante.

Apaixonar-se daquela forma, virtualmente, era tão estranho. Sim, eles se conheciam pessoalmente. Contudo era tão difícil encontrá-la, sempre tão ocupada. Sobrou-lhe então mensagens instantâneas para alimentar o sentimento que vinha crescendo no peito. Tinha medo de perder tudo o que havia conquistado, desejo contar o que sentia.

Abriu a janela, fechou-a novamente. E assim fez por várias vezes consecutivas, decidiu não ficar mais online. Decidiu não puxar mais assunto e dessa forma tentar descobrir se ele tinha alguma importância para ela.
Resolveu viver além das teclas.

E-books, coisa boa!

22 jul

Leitora compulsiva. Dessa forma vocês podem me definir. Contudo, esses tempos não consigo me organizar quanto a isso. Ler está sendo um suplício para mim, pois não encontro tempo. Então resolvi baixar alguns e-books e vou lendo quando dá tempo aqui no trabalho. Apesar de não ser a mesma coisa. Nada substitui você deitar na sua cama lendo um bom livro ou passar a tarde embaixo de uma árvore com aquela brisa gostosa no rosto.

Quem nunca assistiu o Diário da Princesa que atire a primeira pedra. Eu como uma ‘menininha’ também adoro os livros da Meg Cabot. Ela consegue envolver você do início ao fim. Baixei os livros e estou adorando.

Recentemente baixei os seguintes livros:

O ovo apunhalado – Caio Fernando Abreu. É uma coletânea com vários textos do autor.

— Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende?

Nota 10. Para quem gosta de leitura polêmica ele sempre corresponde às expectativas. Adoro toda a loucura que ele expressa. O sofrimento e a falta de piedade lá é gosto de ler. Apenas lá.

O pequeno príncipeAntonie de Saint Exupery. Um livro com várias ilustrações, mas não o vejo como um livro infantil. Nunca tive curiosidade de ler. Acho que as pessoas falavam demais, rs. Resolvi baixar agora e me encantei por ele. Acredito que esse livro seja mais voltado para adultos do que crianças. ADOREI.

“Não a devia ter escutado — confessou-me um dia — não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, me devia ter enternecido”.

E por último da minha autora preferida Meg Cabot . A princesa sob os holofotes.

Eu estou tentando mesmo segurar essa barra numa boa, sabe?
Por que não adianta me grilar com isso.  Mas como é que eu posso NÃO ficar grilada? Minha mãe está para ser mãe solteira.  MAIS UMA VEZ.
Ela devia ter aprendido de uma vez por todas, depois de me ter, e tudo mais, mas pelo visto não aprendeu.
Como se eu já não tivesse problemas suficientes. Como se minha vida já não tivesse ido por água abaixo. Eu simplesmente não sei o que mais estão esperando que eu aguente.

Adoro leitura infanto-juvenil. Descobri o prazer da leitura, lendo gibis e histórias  juvenis. E confesso, assim como a Mia já tive vários diários.

A cantora.

21 jul

Naquele dia vestiu roupas diferentes. Maquiou-se e até usou um salto agulha enorme. Era a primeira vez que iria cantar sozinha naquele local. Seria apenas ela e um violão. Um acústico gostoso em uma noite estrelada. Podia sentir a ansiedade a enrijecê-la. No chuveiro era muito diferente. Imaginava vários olhos em sua direção. Estava nervosa, mas impressionantemente não pareceu.

Já nos primeiros acordes sua voz flui como nem ela tinha ouvido antes. Limpa, firme, penetrante.
Foi incrível! O público se extasiou!

Ao final o seu rosto estava ruborizado. Pelos aplausos inesperados e pela rosa que havia ganhado de alguém. Ora, não imaginava que cantava. Afinal de contas sempre foi tão insegura quanto a isso.

Sentou-se a mesa e começou a conversar com várias pessoas. E recebeu um bilhete junto com outra flor. Não deu tanta importância, afinal achará que fosse somente cortesia de alguém que de alguma forma havia se encantado com sua voz. Contudo, o rapaz ficou lá a fitá-la por várias horas e percebendo a sua desatenção foi embora.

Talvez não fosse uma hora boa para se declarar.

Dói.

20 jul

Eu não consigo escrever. Infelizmente não dá. A dor me impede, incomoda, atrapalha.

Reencontrar aquele olhar, rever aquele sorriso, escutar aquela música mais uma vez. Dói, dói muito.

Eu não consigo explicar. E o que é pior, não consigo parar de tremer. Essa sensação horrível não quer passar.

Não consigo desabafar com ninguém.

Eu quero acreditar que um dia isso vai acabar, mas é tão ruim e tão difícil.

Não quero postar nada aqui. Afinal, ninguém merece textos sobre dor. E eu jamais conseguiria expressá-la.