Arquivo | junho, 2009

A diferença da indiferença.

30 jun

Sabe aquele lance da indiferença? Então. Quanto mais uma pessoa é indiferente a você, mas você é ligado a ela. Pensa nela, ‘quer’ ela.
Contemos um causo.

Brasília, junho de 2007. Micarecandanga.

Lá estava ele. Observava cada movimento das pessoas que passavam por ele. Nunca gostou desse tipo de festa, mas quis experimentar algo novo. Afinal, todos os seus amigos iriam para lá. Claro, que tinham em mente ‘pegar’ muitas meninas. Ele não. Era o do contra. Entretanto, conheceu uma moça e ficou com ela. Algo novo para ele, mas gostou da moça e imaginou que continuariam o pequeno romance, mas a moça não pensava igual. No outro dia lá estava ela com outro rapaz. E o cara ficou ‘emputecido’. Como pode? Que menina é essa. Não que tivesse se apaixonado, não mesmo. Mas essas atitudes surgem mais dos homens que mulheres. Entendeu então que estava lá como um manequim onde seria analisado e caso houvesse interesse seria ‘comprado’.

Não gostou, é claro. Então conheceu uma moça. Aparentemente normal, não parecia estar lá. Apesar de todos estarem na curtição, pegação ela estava em outra vibe. E ela realmente não o atraia, não fisicamente. Mas começaram a conversar em um momento em que ele estava sob o efeito da raiva que sentia ao ver a menina com outro cara. Que menina baixa. Pensou ele.
E conversaram. Ela era tão diferente, culta. Ela falava de arte, teatro e música. O que ela estava fazendo ali?
Ela era bailariana, era jornalista e cursava filosofia. O que ela estava fazendo ali? Ela realmente conseguia confundir a cabeça dele.

E quando ele a beijou. Sim, ele beijou ela. Ele sentiu algo diferente e ficaram os outros dias da micarê. E então no final de tudo ela disse: espero que não crie muitas expectativas sobre o que aconteceu entre nós. Acabou aqui.
Como assim? Ele pensou. Que menina fria, sem coração. Como ela fala uma coisa dessas, eu devia ter dito isso. E então ele pensou: agora é tarde. Apaixonei.
Trocaram emails, msn. E hoje ele tenta evitar não pensar nela, mas é tão difícil.

Sentimentos são literalmente, com o perdão da palavra, uma merda. De repente você não sente nada e quando você menos espera sente tudo. Sensações alheias que nos fogem do controle. Realmente muito ruim. Esse lance de indiferença é como psicologia reversa, quanto mais a pessoa te ignora, mais você quer ela.
É, o amor é uma doença. [e eu não quero me curar]

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MI.

29 jun

Ela chegou no horário previsto. Antecipou-se um pouco, pois estava apreensiva, nervosa. Era acostumada a fazer aquilo, sempre que surgia a oportunidade lá estava ela. Entre milhares de pessoas com o mesmo objetivo. Buscando uma vida melhor, onde haveria estabilidade. O seu maior desejo era passar naquele bendito concurso. Largar as coisas que lhe deixavam triste. Seu emprego, sua ‘vidinha’.

Lá estava ela. Na penúltima cadeira. Um pouco nervosa, sim. Fez a prova com paciência, esperou até o final.
E agora ela espera ter conseguido algo. Só que nesse momento ela está triste, pois acha que deveria ter dado o melhor de si.

Que coisa.

Ele era o Peter Pan.

26 jun

– Tenho medo.
Ele falava àquela mulher que se encontrava todos os dias em seus sonhos. Ela uma moça jovem, de cabelos longos e de um sorriso tão tenro que era capaz de acalmá-lo sempre.

Ele a observava. Via mexendo seus cabelos, o vento parecia beijá-los. Não sabia quem era. Apenas a conhecia. Encontrou-a em seus sonhos quando criança e desde então ela cresceu com ele. Todos os dias ele estava lá perto da orla vendo a movimentação dos barcos indo e vindo. Ela sempre sentava ao seu lado e abraçava-lhe como se não pudesse mais viver sem aquele abraço. Era tudo tão intenso, as conversas, os sorrisos.
Mas quando amanhecia e abria os olhos sabia que não a encontraria. Ela ajudou a vencer seus medos. Era tão ‘presente’, mas infelizmente só habitava em seus sonhos.
Imaginava como seria possível alimentar tal sentimento por ela. Afinal, sua cabeça sabia que não passava de uma ilusão um desejo, mas o seu coração afirmava que ela realmente existia.

O medo sempre passava quando ela aparecia-lhe. Se tornava grande. Tornou-se um astro. Tão brilhante como o sol, poderoso. Aos poucos seus medos também foram mudando, preocupava-se com a solidão que lhe cercara. Era amado por muitos, era amado por ninguém. Rodeado de pessoas, mas sempre sozinho.
E quando a noite chegava sabia que a encontraria e não mais estaria só. Ela conversava sobre tudo. Tinha sua história também. Mas o foco principal sempre foi ele. Ela o amava.

Deleitava-se em seu colo olhando às estrelas. E com um olhar triste sempre dizia: – contigo eu encontro a felicidade, Even. O que será de mim quando não puder te encontrar?

A moça apenas sorria. Explicando-lhe que não era necessário temer, pois sempre que quisesse ela estaria ali. O coração imenso dele só era visto por ela. Outros viam apenas seu dinheiro, sua fama e seus álbuns. Ele era mais do que um personagem produzido. Sentia medo, desejos, sofria, chorava. Construiu seu mundo onde vivia como sempre sonhou, feliz, sem crescer. Desejava ser como Peter Pan, morar numa floresta onde todos fossem eternas crianças.
Sempre que olhava em seus olhos via a doçura de uma criança. Ela era sua Wendy. Aquela que lhe mostrava o caminho a seguir, tentava lhe ensinar que deve-se sempre sonhar com os pés no chão.

Contudo ele teve que crescer, mas não deixou de encontrá-la. Apenas era menos sonhador. Viu que realmente havia crescido e que era necessário arcar com as responsabilidades de um adulto. Sentia-se triste, acuado. Não queria estar ali, queria uma vida diferente. Queria viver com ela em uma casa simples, de preferência no campo. Onde poderia respirar calmamente e cantar somente pra ela:

I’m in love with a beautiful girl
I’m in love with a beautiful girl
It’s almost like dancing and romancing
In her arms
It’s just a part of it
Can’t you see that I’m in love

Livre, afinal.

25 jun

Ela estava livre, finalmente. Mas tantos meses de contato diário, infelizmente, deixaram marcas. Ela já não sabia o que fazer com aquela liberdade que lhe custara tão caro. A dor era quase física, atravessava a alma. Em poucos minutos os seus sonhos e planos não existiam mais. As promessas haviam sido desprezadas e ela não podia acreditar.

Tudo aconteceu tão rápido que nem se deu conta de que a vida havia mudado e só ela permanecia estagnada, inerte. Ela não sabia como continuar. Não sabia quais eram as perguntas e mesmo assim buscava respostas.

Do outro lado, ele continuava a vida. Ela já havia sido substituída. Ele parecia feliz como nunca. Em momento algum parou para pensar no que havia causado aquela moça. Nenhum ressentimento, nenhuma mágoa. A vida não podia ser melhor.

Um dia a situação mudou.Os papéis se inverteram. Ela percebeu que o seu valor era muito maior do que ele merecia. Não valia a pena derramar mais nenhuma lágrima. Ela havia encontrado as respostas de que precisava. Conquistou a sua paz e redescobriu o amor-próprio. Daquele dia em diante sua vida nunca mais seria a mesma. Ela estava realmente livre.

E para ele o arrependimento havia chegado. Percebeu que aquela moça do sorriso singelo e do jeito inocente jamais seria substituída. Ela era única. Única do jeito de viver, no jeito de amar. Mas, para ele era tarde demais. Perdera a importância para ela. Apesar de ainda habitar em seu coração, ele ocupava um espaço cada vez menor. Um lugarzinho empoeirado que ela não mexia mais.

Ela estava feliz. Enquanto ele sabia que jamais encontraria alguém como ela…

Borboletas.

24 jun

E então.
Toda aquela história de borboletas no estômago realmente existe. É fato. E quando elas resolvem povoar nosso corpo as coisas ficam diferentes. Os sonhos se tornam mais gostosos. O simples fechar de olhos nos permite encontrar com ‘algo’ que nós desejamos.
E tudo o que pensamos está [in]diretamente ligado a pessoa. Até um simples piscar de olhos. São coisas tão pequenas.

Essas borboletas não me deixam escrever.

Diploma, pra quê?

24 jun

Não posso deixar uma notícia como essa passar despercebida.

“STF decide que diploma de jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão.”

A maioria das pessoas que me conhece, sabe que o meu desejo é cursar a faculdade de Jornalismo, (Comunicação Social) de preferência na UnB. Mas a minha intenção não é falar sobre os meus projetos de vida.

Fico imaginando o que os universitários de todo o país estão pensando nesse momento. Alguns passaram anos com a “cara nos livros”, se esforçando ao máximo para conseguir a aprovação no vestibular e agora simplesmente descobrem que o seu curso se tornou desnecessário. Não no sentido literal da palavra. O curso continua sendo importante, aperfeiçoando quem deseja seguir essa carreira. Eu digo desnecessário porque hoje “qualquer um” pode se tornar jornalista. Isso chega a ser uma falta de respeito com os verdadeiros profissionais.

Muitas empresas podem (e devem!) exigir um diploma. Não pensem que estou menosprezando e afirmando que somente profissionais formados são capazes de elaborar boas matérias/reportagens. Muito pelo contrário, acredito no potencial criativo e crítico das pessoas. Mas isso não quer dizer que não precisem de formação acadêmica, sendo que esta apenas beneficiará e formará profissionais muito mais capacitados.

A minha indignação não me permite ser racional. Só queria mesmo expressar a minha revolta.

Estrelas.

18 jun

estrelasSão elas que brilham em seus sonhos. Estão lá como uma pontinha de esperança. Um presságio de que tudo estará bem, sempre.
As estrelas estão brilhantes esta noite e ela está caminhando sem rumo. Isso tudo é o desejo que a desnorteia. E ele está sempre certo. E, nossa, como ele é tão perfeito.
Alguém aí pode notar a felicidade da menina que ganha um abraço afetuoso, seguido de um: eu te amo, boneca. São as pequenas coisas que fazem a diferença.

É o inverno que acaba. São as folhas secas no chão, que darão espaço novamente a vida. É a música que adentra seu corpo fazendo com que ela tenha sensações estranhas. Doces.
É o mar que banha seus pés enamorado. Seria ela uma sereia e o mar um apaixonado? Sobre a areia observa cada pontinho luminoso no céu. E começa a contar cada sonho, na mesma proporção de estrelas. É a brisa que beija seu rosto suavemente. Desejando abrir os olhos e ver que realmente é real. Que há um beijo a sua espera.
É a suave canção que se tem ao ouvir o som do vento e da água batendo nas pedras. Tão inspirador. Continuar ali inerte é tão bom, pensa ela. É como se o mundo tivesse parado, somente para ajudá-la a pensar nele.

Até a natureza conspira a seu favor. E as estrelas? As estrelas são tão apaixonadas como ela. Só perdem para a lua dos enamorados.