Das coisas que Alice não diria.
Quando eu abri os olhos de manhã vi o céu pela janela e ele estava nublado, chuviscava. Pequenas gotas caiam sobre o teto em uma sinfonia singular e os meus olhos entreabertos marejavam. Embora estive empacotada e meu corpo quente, sentia frio por dentro, minha alma era todo gelo. Por quê? – Eu me perguntava. E as minhas respostas não eram respondidas, ressoavam no vazio de meu quarto e voltavam com uma intensidade tremenda e cortante, cortava-me o coração.
As noites vem sendo cada dia mais desastrosas. Se soubesse ao menos como me portar, o que está acontecendo comigo, esses meus sonhos, o que está ao meu redor. É que desde que conheci esse sentimento – que é todo teu – tudo é tormento, é alegria, sofrimento, é mistura e vou andando manca na vida.
Deitada sob os lençóis as minhas lágrimas estão bem escondidas, inaudíveis, embora tão intensas quanto à dor que sinto cá dentro. Dor essa sem razão, motivo, apenas desesperado. Não há nada para se esperar, nada fora prometido.
E esse amor que trago no peito é tão meu e teu, mas que permanece somente comigo – a sete chaves.
Eu jamais falarei pra você, desculpe.
(…) e sempre eu saio perdendo, é mais uma vez.
O escuro
- Dois passos para a direita, três para a esquerda, se eu conseguir ir nesse ritmo logo estarei lá. – Pensava ela.
Procurava o interruptor a sua volta e não encontrava, enquanto isso ia tateando os objetos ao seu redor no escuro, mas nada de encontrá-lo. Sentou-se na cama, desistindo afinal. E fitou o teto com várias estrelas fluorescentes – dera nome a cada uma delas – olhava-as com a esperança em seus olhos e o coração aflito.
Mais uma noite, outro sonho – pesadelo, talvez. Seus olhos cheios de lágrimas transbordaram. Era impossível continuar, ela pensava.
Mesmo que decidisse levantar e movimentar-se calmamente, calculando seus passos, eles não dariam a lugar nenhum. Ela bem sabia.
Agarrou-se ao seu travesseiro abafando seu grito, era excruciante o que sentira. Queria arrancar do peito à força, mas não conseguia.
Então decidiu calar-se apenas, a dor já era bem amiga.
Ele.
É quando você me dá as mãos, os meus olhos se enchem de estrelas. Eu posso caminhar na tua estrada por léguas que jamais eu cansarei. É tão único, incrível.
Estar sob o céu ligando as estrelas ao teu lado é como ligar o meu presente ao nosso futuro.
É imagina que quando eu acordar amanhã, você estará ao meu lado. E nossos sonhos serão os mesmos, a nossa música tocará harmonicamente e nós seremos felizes.
Demorou para dizer, mas eu te amo. Deveras.
A morte do amante.
A morte do amante
E ele morreu
Sem jamais ter sido amado, talvez
Mas amando todas
Uma de cada vez
E ele morreu
Amava, mas ninguém o seguia
Nadando contra a maré
Sonhando uma utopia
Desistiu dos sonhos?
Cansou dos ferimentos
E de sempre amar sozinho
Em seu lugar, um coração frio
Narcisamente egoísta e receoso
Que não mais se importa em ficar sozinho.
OFF :)
Ausente por tempo indeterminado.
Estudando. Esquecendo. Relembrando. Revivendo. Recomeçando…
Tudo ao mesmo tempo agora.
Borboletas no estômago.
Eu seria incapaz de admitir o quanto desejava encontrá-lo. Assumir que aquele sorriso me fascinava era ridículo e humilhante. Humilhante sim, por saber que esse sentimento jamais seria recíproco.
Quando cheguei procurei inutilmente por ele, que não estava lá. Ainda bem que ninguém me conhecia, assim não perceberiam a tristeza evidente em meus olhos.
Os minutos passavam e quanto mais eu tentava convencer meu coração de que não o veria, mais a esperança aumentava. Foi quando, finalmente, ele cruzou a porta, mais encantador do que qualquer um teria direito. Eu sabia que jamais me acostumaria com aquele olhar e nunca deixaria de me surpreender com o seu sorriso. Era mais incrível do que eu me lembrava.
A todo instante eu sentia o peso do seu olhar sobre mim, mas faltava-me coragem para encarar seus olhos de volta. Temia por minha reação.
Lembrava-me de cada frase trocada com ele durante a semana, mas uma parte de mim insistia em dizer que tudo não passava de um sonho.
Felizmente – ou não – as pessoas rapidamente assumiram suas funções, fazendo com que eu me afastasse e permanecesse sozinha, apenas observando. Notei sua presença ao meu lado.
- Oi. – disse ele num sussurro.
Tive que forçar minha mente a pensar numa resposta coerente. Admito que não foi fácil.
- Oi… – Foi tudo que eu consegui responder.
Surpreendi-me quando percebi que ele me abraçava e não tive coragem de romper o silêncio que nos cercava. Esperei que ele falasse.
- É realmente muito difícil controlar o desejo de beijá-la. Mas acho que atrairíamos toda a atenção. - Disse ele sorrindo.
Não consegui responder. Aquele sorriso era demais para mim. Por sorte, alguém me chamou e essa era a desculpa que eu precisava para desvencilhar-me daquele abraço de tirar o fôlego.
Não consegui conversar com ele pelo resto da tarde. Só de imaginar seus olhos próximos dos meus, o coração já batia descompassado.
Fui embora evitando as despedidas, sabendo como reagiria se ele tornasse a me abraçar.
Saudade
Eu me perco deploravelmente em minhas divagações.
Desejando fugir – ardentemente – de todo esse caos que emana de mim.
- Certo – penso eu. – Não há motivos para desespero – repito.
Não há promessas. Ninguém nunca as fizera.
Que há então?
- Vazio, medo, angústia, saudade. Saudade?
Dizem que é carência, outros… paixão.
Deveras eu não compreendo essa saudade que tenho.
(…) De tudo que nunca foi.
Ela tirou férias dos sonhos. Só para pensar e ter em mente seu sorriso novamente. Apreciar.
Palavras e silêncio.
…Tudo que cala fala mais alto ao coração. Silenciosamente eu te falo com paixão (…) Tem certas coisas que eu não sei dizer.
Palavras não adiantariam. Afinal, Mário Quintana já dizia: “Quem não compreende um olhar, tampouco compreenderá uma longa explicação.” Adiantaria falar quando esse olhar já denunciou tudo que meu coração tentava esconder?
Silenciar é a melhor solução, mas os olhos teimam em demonstrar aquilo que está guardado aqui dentro, no mais íntimo do ser. E as lágrimas, palavras da alma, gritam tudo aquilo que jamais deveria ser dito novamente.
É indiscutível a natureza dessa decisão. Certas coisas não necessitam de nenhuma explicação. É fácil perceber quando eu perdi o lugar em sua vida. E isso me dói. Não deveria, mas dói.
Essa angústia tornou-se incontrolável e tentar escondê-la é uma tentativa frustrada.
Eu já não sei o que fazer para romper esse laço que nos une. Ou melhor, que me une a você. Sinto como se estivesse presa, condenada. Não há uma segunda chance, o coração não abre espaço, não permite que nada ocupe o teu lugar. E por quê? Pra quê insitir no erro? Seria mais fácil desistir e abrir mão da dor, se eu fosse capaz de tal atitude.
Não há motivos pra lutar. Um soldado solitário não venceria a batalha.
Desabafar é tudo o que me resta agora. Como se a cada palavra eu pudesse te esquecer mais um pouquinho… Impossível. A razão cansou de lutar contra esse coração que insiste em manter viva cada lembrança.
Dizer que espero seria bobagem. Como esperar algo que nunca mais vai chegar?
Permaneço inerte, cansada. Nada mais adiantaria, não é mesmo?
…A cada dia que passa tento acabar com essa esperança, terrível companheira que insiste em dizer que sim, quando tudo diz que não. E tento desistir.
(…)
…e esse é o problema em seguir o que manda o coração. Afinal, você sabe que ele sempre faz o que quer; não adianta tentar evitar. Alheio a voz da razão. Tão bobo e inocente… Esse pobre coração que se recusa a endurecer. Difícil é fazê-lo entender que não vale a pena preocupar-se com quem não se importa com sua existência. Ah!, Coração… Faça como quiser; e que seja o melhor pra nós dois.